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Conto Publicado na Revista Literária LiteraLivre

Escrevi ‘Espelho Cego’ durante o processo de criação do meu romance de estreia, Prismas. Naquele momento, eu ainda estava explorando alguns dos temas e tensões que mais tarde se tornariam centrais no livro, particularmente aqueles ligados à percepção social dos corpos com deficiência — mais especificamente, dos corpos femininos com deficiência.

O título do conto é inspirado em uma obra do artista brasileiro Cildo Meireles. Sua peça ‘Espelho Cego’ joga com ideias de percepção, ausência e os limites do que pode ser visto. Essas questões ressoavam fortemente com as perguntas que eu estava explorando naquele momento — perguntas sobre visibilidade, corporalidade e a relação incômoda entre olhar e compreender.

De muitas maneiras, o conto funciona como uma espécie de prelúdio para Isabel, a protagonista de Prismas. Leitores do romance talvez reconheçam aqui uma situação que aparece logo em seu primeiro capítulo. Nesta versão, porém, a cena toma um rumo diferente — talvez mais melancólico. Durante o processo de escrita, o conto acabou se tornando um espaço onde pude explorar o terreno emocional da personagem antes que ele encontrasse uma forma diferente dentro do romance.

Dois temas estavam particularmente presentes na minha mente enquanto escrevia. Um deles era o estereótipo persistente que associa a deficiência à dessexualização. Ser vista como completamente dessexualizada ou, no extremo oposto, como objeto de fetiche — sem meio-termo — é algo com que muitas mulheres com deficiência podem se identificar. A segunda questão era a da hipervisibilidade, especialmente na experiência de mulheres cegas. Você não vê os olhares, mas sabe que todos percebem sua presença — a bengala, o cão-guia — mesmo quando tudo o que você gostaria era simplesmente se misturar à multidão. Não temos controle, nem agência, dentro dessa economia de olhares tão central nos encontros amorosos.

Ser constantemente vista carrega um peso particular — a sensação de estar sempre sendo observada ou interpretada pelos outros.

Corpos com deficiência frequentemente ocupam uma posição paradoxal: ao mesmo tempo excluídos dos modelos normativos de desejo e, ainda assim, submetidos a um escrutínio intenso. ‘Espelho Cego’ nasceu dessa tensão.

O conto foi posteriormente publicado na Revista LiteraLivre, uma revista literária digital brasileira dedicada à divulgação de escrita contemporânea em língua portuguesa. Criada pela escritora Ana Rosenrot, a publicação reúne poemas, contos e outros textos literários de autores emergentes e independentes de diferentes regiões do Brasil e também de outros países lusófonos.

Você pode ler o conto completo (em português) na edição da LiteraLivre disponível no link abaixo.

https://www.calameo.com/books/00540955436782f8f7fb1

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