Livro

Prismas - Victoria Schechter

Prismas nasceu da minha própria experiência com deficiência visual, mas não é um livro autobiográfico. Ao escrevê-lo, também me inspirei em relatos de outras pessoas com deficiência e nas conversas e trocas que encontrei na comunidade PCD online. A vivência do meu pai, que enfrentou uma realidade marcada pela ausência de recursos tecnológicos e de direitos reconhecidos, também atravessa de alguma forma a história.

O romance se constrói em múltiplas vozes, especialmente a de Isabel, uma protagonista cega cuja experiência revela como as percepções externas muitas vezes dizem mais sobre quem observa do que sobre ela própria. Essa estrutura polifónica foi fundamental para mim, porque me permitiu explorar a complexidade e as contradições da deficiência, afastando-me de estereótipos como o da figura trágica ou da heroína da superação.

O processo de escrita começou de forma bastante solitária, mas ganhou uma dimensão pública quando passei a escrever em espaços abertos, o que acabou trazendo também a questão da visibilidade para o próprio processo criativo.

Com Prismas, quis abrir um espaço na literatura brasileira para corpos com deficiência retratados de forma desejante, ambígua e viva — oferecendo, talvez, uma linguagem de pertencimento a leitores que muitas vezes não se sentem representados.

Estrutura Polifônica

A história de Isabel é atravessada por múltiplas vozes, revelando versões diferentes — e por vezes contraditórias — da mesma vida.

Um corpo vivo

Isabel não é figura trágica nem heroína da superação, mas uma protagonista complexa, desejante e contraditória.

Um romance para todos

Embora nasça da experiência da deficiência, Prismas fala de memória, desejo, família e autonomia.

Ícone de aspas

“Victoria Schechter, ela própria uma deficiente visual, nos apresenta em seu romance de estreia uma abordagem mais realista. A protagonista-narradora é Isabel Leone, uma cantora e professora de música cega de nascença que tem a sua rotina alterada por uma gravidez indesejada”

— Mundo de K

“Que livro bom! Gosto de livros que me incomodam, que me tiram da minha zona de acomodação, que me fazem refletir. Assim foi com esta leitura.”

— MãeLiteratura

“Um livro sensível e muito bem escrito, no qual a protagonista aprende a superar a solidão da deficiência visual para encontrar o seu próprio lugar no mundo.”

— Skoob

“A literatura de Victoria Schechter é única porque seu ponto de vista é único. A cegueira já foi retratada, por vezes, como uma questão sensorial, como um outro acesso às imagens do mundo. Aqui, com base na experiência da autora e em sua grande capacidade de sintetizá-la, a cegueira se torna algo maior: se torna uma questão social relevante que afeta com força e surpresa cada relação humana. Não são só as imagens do mundo que ganham outra dimensão: é o entendimento mesmo do mundo que se transforma com o olhar clarividente da autora.”

— Julián Fuks

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