Prismas nasceu da minha própria experiência com deficiência visual, mas não é um livro autobiográfico. Ao escrevê-lo, também me inspirei em relatos de outras pessoas com deficiência e nas conversas e trocas que encontrei na comunidade PCD online. A vivência do meu pai, que enfrentou uma realidade marcada pela ausência de recursos tecnológicos e de direitos reconhecidos, também atravessa de alguma forma a história.
O romance se constrói em múltiplas vozes, especialmente a de Isabel, uma protagonista cega cuja experiência revela como as percepções externas muitas vezes dizem mais sobre quem observa do que sobre ela própria. Essa estrutura polifónica foi fundamental para mim, porque me permitiu explorar a complexidade e as contradições da deficiência, afastando-me de estereótipos como o da figura trágica ou da heroína da superação.
O processo de escrita começou de forma bastante solitária, mas ganhou uma dimensão pública quando passei a escrever em espaços abertos, o que acabou trazendo também a questão da visibilidade para o próprio processo criativo.
Com Prismas, quis abrir um espaço na literatura brasileira para corpos com deficiência retratados de forma desejante, ambígua e viva — oferecendo, talvez, uma linguagem de pertencimento a leitores que muitas vezes não se sentem representados.
A história de Isabel é atravessada por múltiplas vozes, revelando versões diferentes — e por vezes contraditórias — da mesma vida.
Isabel não é figura trágica nem heroína da superação, mas uma protagonista complexa, desejante e contraditória.
Embora nasça da experiência da deficiência, Prismas fala de memória, desejo, família e autonomia.
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— Julián Fuks
Uma história sobre ver e ser visto: Disponível na Amazon em formato físico e ebook (incluído no Kindle Unlimited).
